quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Mensagem do meu Cyber-homeopata

Como todos os de entre vocês que não vieram a este site depois de uma pesquisa googliana em que tiveram à falta de senso de juntar os termos Pamela Anderson e catraca numa pesquisa repararam, não tenho escrito muito para este blog. O meu cyber-homeopata, como devem imaginar, está furibundo. Como tal, decidiu fazer o seu próprio blog.

É um blogue privado, de acesso apenas as seus pacientes. Contudo, e para benefício do público em geral (vocês que me lêem) decidi fazer uma súmula dos seus ensinamentos para um futuro mais feliz.

1. "Tome 3 chávenas de café por dia". Para os que vivem no estrangeiro, a chávena de café português está nestes cotações*:
15 Chávenas de café Espanhol
20 Cafés de Balcão Franceses - 10 Cafés de Esplanada em trottoir parisino
44 Banheiras de Café Inglês
10 Seringas de Frappucino no Starbucks

2. "Masturbe-se 4 vezes por dia, mesmo que faça sexo regularmente." Sugiro o esquema ao despertar e com o café.

3. "Jogue às cartas uma vez por dia com pessoas de quem goste." Para os jovens, sugiro o jogo de cartas mais físico que conheço: a Batalha Corsa. Precisam de um baralho de cartas completo, uma mesa forte e um stock generoso de pensos rápidos. Os mais abastados dessa qualidade que é a idade podem escolher entre a Sueca e o Bridge, consoante a vossa classe. Porque não há nada mais démodé que jogar jogos fora da vossa classe.

4. "Mantenha rotinas com actividades não produtivas." Não estou seguro que 3. se aplique. Para jogar pelo seguro, actualize o seu Facebook diàriamente e/ou faça comentários nas fotografias dos seus amigos. Ou arranje trabalho na banca.

5. "Vá para o algarve sempre que possa". Posso hoje. Beijinhos e vemo-nos lá mais para o outro mais lá para a frente nesta nossa quarta dimensão que é o tempo.

Allons, enfants de la Patrie!

*Dados FT as of 15/07/89

sábado, 11 de Julho de 2009

Toque de Génio III

"para passar além do bojão, há que passar além da dor"

Das coisas boas I (ou, da lamechice regionalista)

Há qualquer coisa de fabuloso, e muito difícil de descrever, em, depois de uma semana cansativa mas que correu muito bem, fazer uma viagem de autocarro para o Alentejo, e adentrar no mesmo enquanto o sol se vai pondo. A meio caminho há uma luz amarela forte, antes de alaranjar, e o horizonte alarga-se. Num dia bom, de onde vivo, vê-se bem Portalegre, à distância, mas distinto.
O cheiro muda quando se passa ali de Vendas Novas, mesmo antes de chegar a Montemor.
Mais fabuloso é chegar, já meio de noite, e ser recebido por mesas postas no passeio à beira da praça (todas as terras no Alentejo têm A Praça), e está a familia metida no meio, a comer coisas boas, como Canja de Pombo, Pombo e Faisão estufados, cobertos de alho picado fino, saladas de tomate, cebola, pepino e pimento, e infindáveis garrafas de vinho branco fresco (bebam vinho da Adega Cooperativa de Borba, contribuam para a minha saúde financeira).
Tirando o calor insuportável durante o dia, o Alentejo é bom no Verão.
E prometo que não faço mais postas lamechas. Ou então vá, só de vez em quando.

E a Salvação da Humanidade está em...

(drumroll)

Beethoven!

É verdade. Esqueçam o pós-estruturalismo, a música tribal afro-americana, o Marxismo, a Internet, o Ambientalismo, as medidas contra-cíclicas e o comércio internacional.

Beethoven. Tão só.

Como nada disto é particularmente novo, deixo-vos com algumas citações.

"O Jazz é uma merda. Beethoven é que é bom."
- Theodor W. Adorno

"Esqueçam o pós-estruturalismo, a música tribal afro-americana, o Marxismo, a Internet, o Ambientalismo, as medidas contra-cíclicas e o comércio internacional. Beethoven é que é bom"
- Um conhecido Blogger da nossa praça

"Se algum dia surgir um Beethoven, esqueçam tudo o que eu disse."
- Aristóteles

"Toda a música de jeito que aí vier deve-se a mim. Agradeço-vos que não vos esqueçam disso. Mas não sou nenhum Beethoven."
- Johann Sebastian Bach

"Agora que ouvi Beethoven, não vou invadir a Rússia."
- Napoleão, antes de ser assassinado e substituído por um sósia

"Não percebo nada de música."
- Estaline

A lista continua. O proletariado nunca vai fazer nada de jeito, porque não ouve Beethoven. E por aí fora. As pessoas dividem-se em dois tipos. As que ouvem Beethoven, e a escumalha. O mundo é bem mais simples do que parece.

Aviso à navegação: Todas as traduções são da minha responsabilidade. Junto que sei algum Alemão e não percebo nada de Grego Antigo, Corso ou Russo. Se não disseram exactamente isso, é como se tivessem dito.

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

E a pouca actualização do blogue deve-se a...

(drumroll)

Pedinchice!

É verdade, ocupado que estou a ver se me mandam dinheiro, a insistir que me mandem dinheiro, a certificar-me que os canais estão abertos para que me mandem dinheiro e a candidatar-me a coisas a ver se ganho dinheiro, resta-me pouco tempo para realizar aquele meu exercício mandatado pelo médico: largar o escárnio na internet, para não ficar cá dentro a criar tumores.

(É um especialista em Cyber-homeopatia, antes que perguntem)

And in other news...

Qualquer pessoa que tenha visto quer o Portugal - Argentina quer o Portugal - França sabe que hoje às 8 e 30 (transmissão RTP2, viva o serviço público) vamos levar um show de bola da Espanha nas meias-finais do campeonato do mundo de Hóquei em Patins. Mas vai ser o melhor jogo do campeonato, não fosse ele um Portugal-Espanha, e não fosse o Portugal-Espanha, a acontecer, o melhor jogo de todos os Campeonatos de Hóquei em Patins do pós-guerra.

Valete, frates. Ou então Rei, que é melhor. Ou Ás, que além de valer mais dá para fazer a sequência mínima e a máxima. Perguntas sobre este assunto para o meu estimado colaborador, que ele é que percebe de sequências. Eu só sei que um flush vale mais que uma sequência, e parece que sou o único. Mas sequências, ui, e de todas as cores - principalmente de todas as cores, que se não também é flush e quando toca a flushes o meu estimado colaborador confunde-se - bem disso percebe o meu estimado colaborador.

domingo, 5 de Julho de 2009

Coisas sérias que pomos aqui de vez em quando II



http://www.savemiguel.com/

sábado, 4 de Julho de 2009

Toque de Génio II

E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as ejaculações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência da falta de sexo.

quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Coisas sérias que pomos aqui de vez em quando

Isto vale mesmo a pena, e explica um bocado porque é que eu e o Glórias vamos mandar no mundo.

Das Identificações Obsoletas II

O Glórias aqui excedeu-se.
Muito rapidamente que ando sem grande tempo, estou sempre no poker.
As identificações não são obsoletas.
O Glórias esqueceu-se da fundamental diferença entre esquerda e direita, o evitar da confusão que seria sentar aquela gente toda no parlamento, assim é fácil, quem é de esquerda senta-se à esquerda do presidente da assembleia da república, a direita é ao contrário. (A direita é sempre ao contrário)
Está portanto explicado.

Olha filho,ali vai uma boa pessoa injustamente acusada. I

O dias loureiro (esta gente trata-se com minúsculas) é arguido. Glórias, ataca isto. Poramordedeus.

Já dizia a minha avózinha I

"Mariolas!"

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Serviço público

Recomenda-se:

Fazer copy-paste dos posts deste blog para o google translations e ler numa outra língua que dominem. Tornam-se ainda mais hilariantes.

Das Identificações Obsoletas I

Chateia-me. Confesso que me chateia. Toda esta distinção, de um nível absolutamente tribal, entre esquerda e direita, entre estes partidos que aí andam. E as pessoas dizem-se, Eu sou de direita, eu sou de esquerda e etc.. Um gajo parece que tem que ser pró-escolha para querer maior distribuição de riqueza, ou tem que forçar a santidade do casamento pela Igreja para querer uma economia mais liberal. Não haverá ninguém que ache que o aborto é um direito da mulher, enquanto os homossexuais são filhos de satã, o estado tem o dever de alimentar e dar casa a todos os seus cidadãos e... o que é que a direita defende, exactamente? Ah, e que os TGVs são filhos do diabo. Não haverá ninguém assim? Mas isto é apenas um exemplo de como estas definições são obsoletas. Nisto, de resto, não sou nada inovador, muitos propõem novos eixos de definição do espectro político, como Peso do estado nas abcissas e Autoritarismo - Liberalismo nas ordenadas. Isto, contudo, serve para explicar as correntes passadas, como o Hitler e Estaline estarem em pontos opostos numa das dimensões e próximos na outra. Mas enfim, vamos parar de falar do que dizem outros, que sinto a mobile luz da ribalta lentamente a resvalar do meu corpo e não escrevo um blog para que se saiba que há mais pessoas neste planeta com ideias interessantes. Escrevo para deixar adivinhar o imenso tamanho do meu pénis intelectual. Assim, proponho um novo sistema, aqui da minha lavra única. Um sistema que me é muito mais relevante.

É que nada disto de que falei me interessa por aí fora. Sim, tenho as minhas opiniões, que, como dizia a Rute Remédios, são como as vaginas. Impacto aqui na vidinha, pouco. Proponho o seguinte eixo, definido por 2 dos seus pontos: Os que são a favor de subsituir a Constituição por uma frase pintada a branco numa parede alcatroada dizendo simplesmente "É o que a Europa disser" e os que percebem que um café é propriedade privada. "You can have my cigarete when you take it from my cold, dead fingers". É tempo de fazer uma NCA.

sábado, 27 de Junho de 2009

Diz por aí

Que a seguir à crise temos todos que apertar o cinto. Que as finanças estão muito mal, que andamos a gastar muito, que depois é preciso reequilibrar o défice and whatnot.
Eu n percebo nada dessas coisas, o Glórias pode falar disso que diz que é formado para perceber essa treta.
Eu cá só aperto o cinto quando me apaixono, e é só para parecer mais magro.
Quanto às contas públicas desde sítio-mal-frequentado-a-que-alguns-teimam-em-chamar-um-país quero que se fodam. Literalmente. Quero que o qualquer ministro das finanças (as minúsculas são aqui propositadas) enrole muito bem enrolado o orçamento geral do estado (idem) em rolos múltiplos da grossura preferida e que o governo se entretenha numa sessão de onanismo anal com o dito cujo.
Ouço a mesma puta de conversa desde que nasci. E desde o berço que me alimentaram sempre a mesma resposta, esclarecida, e sinceramente, a única viável, os ricos que paguem a crise pá!
Expropriem-nos, matem-nos, nacionalizem-nos, sinceramente, i couldn't care less. Agora a mesma puta da mesma conversa é que já não aguento.
O Glórias diz que emigra se o BE for para o governo, eu cá, a primeira vez que um governante usar a palavra "carestia" (outra do meu imaginário infantil, demonizada a todos os instantes e associada a faces tão simpáticas para as crianças como a do cavaco (ibidem)) juro que emigro. Ou pelo menos eremito-me (existe isto?).
Os ricos que paguem a crise pá!

Sabemos que estamos a ficar velhos quando II

O primeiro grande prazer matinal num Sábado é folhear o Expresso, ler os artigos de opinião e perceber os recados mandados nas entrelinhas entre os vários sabujos das diferentes Satrapias politico-económicas nacionais.

Sabemos que estamos a ficar velhos quando I

Fazemos um movimento mais preguiçoso para apanhar algo de debaixo da secretária sem saírmos da cadeira e o nosso tendão mata-nos.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Toque de Génio I

I saw the best minds of my generation destroyed by boredom.

terça-feira, 23 de Junho de 2009

Publicidade. Ou melhor, serviço público.

Ouçam o meu blip. Gosto mesmo daquela treta.

http://blip.fm/partizan

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Lisboa pode acabar com o mundo e considerações à volta do Serviço Público

Lisboetas, ouvi-me. Fazei o possível por evitar este debáculo. Contamos convosco.

Se nalgum momento, mesmo que por uma mísera fracção de segundo, a Manuela Moura Guedes tocar (raspar, até) na Maya Booth, uma enorme explosão acontecerá, que poderá dividir a terra em dois.

Estão avisados. Os que não perceberam inserem-se num de três grupos possíveis:

a) Não estão atentos (horroroso)
b) São burros (É a vida, terão outras qualidades)
c) Não viram o Angels & Demons (não é grave)

Estou entre o publicar e não publicar este post. Tenho medo que isto seja como o mapa do pirómano da RTP, aquele que mostrava os risco de fogo florestal por cores em cada distrito, útil para seleccionar onde e quando atear um fogo e completamente inútil para a prevenção do mesmo. Para citar um conhecido paresentador da nossa praça, é óbvio e evidente que atirar cigarros pela janela do carro é um hábito e não uma opção. Quem se lembrar do impacto possível desse gesto optará por usar o cinzeiro do carro. End of story. O que é completamente inconcebível é a existência de alguém que atire o cigarro pela janela quando a zona onde se deslocar estiver em alerta amarelo mas deixe de o fazer imediatamente na chegada ao laranja, por el amor de Diós! Meio cérebro, gente, meio cérebro...

A não ser que seja isso o serviço público. É sabido (grande expressão) que a RTP não deu luz verde ao projecto de um conhecido pirómano da nossa praça de fazer um canal da cabo (Chama24, julgo que se chamava) com imagens e videos fogos, fachos, centelhas, faíscas, etc.. Logo de seguida, presumivelmente para não perderem essa demographic - pirómanos/ociosos - decidiram incluir um pequeno bombom todos os dias com as informações. E é até mais democrático, que o acesso ao cabo é limitado.

Enfim, quéque se lixe. Boa sorte aí com os raptos, terroristas. Se o mundo acabar agora, até nem calha em má altura. Se calhasse no tempo em que eu mandava quecas é que ficava fulo. Ah... os bons velhos tempos...

A sede da TVI está em alerta vermelho, que elas trabalham as duas lá. (wink wink, say no more, será que tenho que fazer tudo?)

Cavaco (trata-se de um conhecido presidente da nossa praça), veta-me este post!

Atraso estrutural IV - Atraso Mental (Turismo de Portugal, ponham os olhos nisto)

É impressionante como neste país a que, não sem um sentido de humor torcido, se decidiu chamar Portugal, um processo de simplificação como a criação de um cartão único de identificação (substituindo os 5 - cinco, não é gralha- anteriores) consegue ser transformado num monstro desovado das entranhas do bicho burocrático, para deleite e emprego de um punhado de recém-licenciados ranhosos das Informáticas com camisa meia dentro meia fora das calças e com o punho aberto a deixar esvoaçar um quase lenço de uma cor sempre mais esverdeada que o resto da camisa. É perfeitamente estupefacente como a criação de um cartão único para os transportes de Lisboa (parece boa ideia, não é? Pera aí que eles já vos phodem) no processo do qual não se criou uma única bilheteira única (A malaise profunda do funcionário da bilheteira da CP do Cais do Sodré quando lhe pedem bilhetes da carris ou do metro é a imagem deste país. Mas não é absolutamente óbvio que para outra empresa 100% pública, num ponto de transbordo entre vários transportes, todos de empresas 100% públicas, há outras bilheteiras a 3 metros umas das outras cada uma com os seus bilhetinhos, perdão, máquinas de recarregamento do MESMO CARTÃO próprias?) Mas dizia eu que era estupefacente (palavra predilecta) como tudo rotunda numa desculpa para fazer passar o passageiro que vem do subúrbio para entrar no metro por DOIS aparatos de portas automáticas, que respondem ao MESMO SISTEMA, O QUE ACABOU DE SER CRIADO, a 10 metros um do outro? No que é evidentemente o único sistema de metro do mundo ocidental (não digo civilizado por razões óbvias) em que o controle electrónico é feito à entrada E à saída, num duplo congestionamento que apanha exactamente 0 (zero) prevaricadores por ano* porque é ABSOLUTAMENTE evidente para qualquer pessoa com meio cérebro que quem arranja maneira de fazer batota para entrar também consegue fazer para sair - já que as portas são as mesmas e as de saída não incluem um sistema de roldanas para soltar bigornas em cima de prevaricadores.

E a realidade superou a ficção – e em larga escala. Resta aproveitar para sacar umas libras a uns turistas, que é aparentemente o único verdadeiro talento desta Nação. Aproveito desde já para lançar a campanha. Turismo de Portugal, usem e abusem. E parece que já o estou a ver, espalhado pelos aeroportos dessa Europa... Fundo azul. À esquerda, uma fotografia do Parlamento Europeu. Em cima o título: “Want to see what it will be like if the most glum predictions of a bureaucratic dystopian future your writers come up with ALL come true? Come to Portugal!”, em letras gordas. Verde futuro.

Ah, já agora, porque é que sou eu que tenho de me identificar perante o Estado? O Estado devia era identificar-se perante mim. Aos dezoito anos, vinha um responsável ter connosco responder à pergunta que todos já se põem: "O que é que você faz, exactamente? "

* dados do conhecimento geral desde o início dos tempos de todos os humanos excepto da chusma que manda nos transportes de Lisboa

Do atraso estrutural III, ou Os surdos funcionais

Crianças ao urros em transportes públicos eu ainda aguento, a verdade é que a literatura escapista que me acompanha sempre no saco me permite abstrair até do mais pequeno dos irredutíveis ulissiponenses (ou vá, ulissiponenses periféricos), ainda que recheados das mais terríveis poções mágicas, aquelas papas doces de "borrego com ervilhas" sempre me pareceram altamente suspeitas, mas talvez isso seja porque eu sou velho, tão velho que ainda fui criado a fraldas de pano. Sim, de pano. Daquelas que se lavavam. Sim, as fraldas dantes lavavam-se. (É sempre bom deixar estas notas para as gerações mais novas, e claro, para a posteridade, porque nós vamos ser famosos, e este tipo de diatribes serão recordadas e reverenciadas por milhões de vindouros)

O que me irrita são aqueles jovens com um ar muito urbano, city-sport-wear, semi-freaks, e que depois têm uns dispositivos suspeitos nos ouvidos, ás vezes discretos, muitas vezes umas coisas gigantes que mais são um chapéu, e que a mim não conseguem deixar de parecer dispositivos de controlo mental remoto. Até porque em parte o são.
Eu gosto muito de música. Gosto muito de ouvir música. Faço-o regularmente. Às vezes até puxo do aparelhito de ouvir música e meto os phones nos ouvidos. Agora o que não compreendo é os jovens muito urbanos com quem partilho os autocarros matinais, e que estão sempre com aquela merda nos ouvidos.
De uma vez por todas: há uma diferença evidente entre ser um apreciador de música e cair no solipsismo.
Como é que se consegue estar sempre com os coisos nos ouvidos? Como é que se anda de autocarro sem ouvir as conversas das velhas? Ou os urros das crianças?
Mas mais uma vez eu é que devo ser velho.

Do atraso estrutural II ou Um par de estalos pela civilização

Não há nada mais revelador do estado de proto-civilização em que se encontra aqui o Jardim do que putos a gritar em transportes públicos enquanto os pais assobiam para o lado. Não fosse eu de estrutura débil e, porquê negá-lo, impotente, e ensinava pessoalmente uma lição quer aos indigentes quer ao produto do seu horroroso coito (v.c.b. Almada Negreiros). Sou, como o provam os inúmeros (2 vai para 3) abaixo-assinados pela declaração dos direitos da criança, o mais acérrimo defensor dos (não há maneira boa de acabar esta frase), bem, dos direitos da criança. E acho que devia tar na constituição: “Artigo nº1 do Anexo ‘Crianças e outra propriedade menor’ : Toda a criança tem o direito de não ser abusada fisicamente” (Já agora, quanto ao psicologicamente, aguentem-se a bronca. Forma carácter. A vida não é mais que uma sucessão de psico-fodas). Dito isto, salvaguarda feita, chapéu tirado ao general, e acho que devia constar do código civil, artigo digamos 37 ou 38, a seguir à secção dedicada aos direitos e deveres do peão no espaço urbano (quem é que dedica a vida a esta merda? Devem ser todos adolescentes do acne e do D&D reabilitados. E mal.), o artigo dizia eu, devia rezar assim, mais cousa, menos cousa: “Todo o cidadão que der um par de estalos ao progenitor ou ao prevaricador de uma acção de terrorismo sonoro (deciBÉLICO) em ambiente transporte público habilita-se a ganhar um fantástico automóvel.” Ou uma coisa mais ordinária, tipo uma comenda da ordem de Sant’Iago de Espada. Se tivéssemos na única democracia a sério do mundo ocidental, a República de Genebra, eu podia fazer um abaixo-assinado e levava isto a referendo. Depois o Cavaco que vetasse, ou mandasse pró constitucional, para os velhos se divertirem (já agora, pode-se vetar um povo? Se sim, eu veto o português).

Porque a questão aqui é só uma. Não me digam que “Sim, no panorama comportamento infantil estamos abaixo da média europeia, mas há outras vertentes civilizacionais em que…”. Não. Não deixar fedelhos gritarem em transportes públicos É a Civilização. É a definição. É o grau zero. Do grego miú, ómega e o que parece um v com acento, latinizado para Civilis (em português não há palavra. Alguém se admira?) e que significa algo como: “Silêncio em trânsito”. Todas as interacções de uma sociedade civilizada, que está ancorada no transporte comum, se baseiam no pressuposto que não há um puto a gritar ao lado. E se tiver com ideias disso, alguém rapidamente lhas tira. À estalada, se for preciso.

Da-se. Se as crianças são o futuro eu quero ser o passado...

domingo, 21 de Junho de 2009

Do atraso estrutural

Toda a gente sabe que Portugal sofre de um profundo atraso estrutural que nos coloca na cauda da Europa. O que nem toda a gente percebe é a dimensão desse mesmo atraso, nem as suas causas mais directas. Podemos estar aqui a discutir o fascisalazarismo, o século XIX (a la Vasco Pulido Valente) ou o raio que o parta, mas a verdadeira resposta a todas as causas do profundo atraso estrutural nacional estão aqui:

O Sexo e os Portugueses, na Visão, Sondagem do CESNOVA

Vejam e chorem.

sábado, 20 de Junho de 2009

Outros dizeres...

Nas palavras eternas da Gertrude Stein (comunicação rápida: A Maya Booth é boa. Mesmo boa.)

"Um flush é um flush é um flush é um flush é um flush"

Mesmo boa. Apoiem o teatro português. Com gajas boas. Ao vivo, a cores, em Inglês. Boa.





Mesmo boa.

Dizeres

O meu favorito:

"Dizer isso é comparar o olho do cu à feira de Borba."

Da folia.

Que é o poker do Facebook. Os amigos turcos que se fazem. As cervejas virtuais que nos compram. O Glórias a demorar uma hora a bater uma menina que jogava como uma menina. Tenho muitas saudades desses tempos.

P.S.- Tinha straight no tilt, o gajo fez flush c um duque na última. Morre longe.

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Quando eu era pequenino...

O meu pai sentou-me no colo dele e disse-me:
"Meu filho, já tens 6 anos, já não tens idade para estórias. Hoje vou-te dar uma lição de vida, que nunca a esqueças, meu filho, já que muito provavelmente é a última que te vou contar, de tão lixado que tá o meu coração com o meu vício dos teus comprimidos para a hiperactividade. Quando estás a jogar poker, meu filho, (Nós na nossa família só jogávamos Omaha e Texas Hold'em, somos da Beira Litoral), e tiveres uma sequência na mão, não te esqueças que se alguém tem flush é porque há pelo menos três cartas do mesmo naipe na mesa. Não faças como aquele teu amigo (aqui o seu dedo tremblante apontou para cima, o que me fez pensar que se referia a jesus) que vai ao Facebook fazer all-ins (eu sou relativamente novo... mas percebi logo que não era jesus) com sequências quando estão 4 cartas do mesmo naipe na mesa. Tem cuidado meu filho, que nunca te esqueças do teu velho pai. Agora sai daqui que já tens boa idade para cavar batatas."
Um pai para a Nação, um pai para a Nação...

A mão.

Hoje tinha um Straight to the A no poker do Facebook. tinha amealhado 15k's numa mesa de 800 de máximo buy-in. fui all-in para rebentar o único outro jogador interessante. O cabrão tinha um flush. Dolorosas lições.

Ó objecto estranho!

Um blogue! O objecto dos de novo mundo, intáctil, inolor, também insonso, é certo, mas que pode mudar o mundo! (citation needed)

E do topo deste promontório, e julgo que falo pela nossa equipa dedicada de especialistas, prometemos não deixar pedra por revirar, estrangeirismo por utilizar, homem e mulher por maltrar, mitos por vilipendiar, altares por conspurcar, defenestração por louvar, gaja boa por piropar, evento astrológico por assinalar, e etc., ad nauseam, ipso facto, passim, morituri. (A ler-se à lá Carlos Pinto Coelho. Para as gerações mais novas, a ler-se enquanto se tenta enfiar o queixo no tórax).

E é mais ou menos isto, mais coisa menos coisa, mais para menos que para mais, não sei se vai haver aqui muito ipso facto, a ver vamos, estamos aqui é para isso, ôpelá, arriba, arriba. Stunga!

E nisto tudo, é evidente, se a tanto nos ajudar o engenho, e... a arte, vá, e, bem.... que, olha, que Deus te dê salud, e a mim não me olvide. Vale. Carroça para a frente e bois para trás.